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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Azagaia - Corre e avisa!

Do III Acampamento Lusófono dos Direitos Humanos à vitória da Beira

Quando pensei em escrever-vos, pretendia falar-vos de dois acontecimentos. Primeiro sobre a minha ida a Cabo Verde onde realizou-se o III Acampamento Lusófono dos Direitos Humanos. Segundo, sobre a vitória da Beira, coroada no dia 7 de Fevereiro pela tomada de posse o Eng. Davis Simango. Entretanto, surgiu um paralelismo interessante entre estes dois acontecimentos, que na minha opinião, vale a pena partilhar, abordando de uma só vez os dois assuntos.

De 2 a 6 de Fevereiro na cidade da Praia-Cabo Verde, jovens activistas, juristas, economistas, jornalistas, estudantes (e eu músico) de todos os países lusófonos, sendo que Moçambique e Angola tiveram maior representatividade em termos de número, estiveram reunidos para discutir direitos humanos. Irmanados pela língua e pela mesma causa, trocamos experiências enriquecedoras e interessantes. Senão vejamos: fiquei a saber que em Guiné-Bissau também trafica-se crianças, e conscidentemente, são levadas para aprender o Alcorão nas Madrassas em Dakar-Senegal. Essas crianças são posteriormente obrigadas (pelos Sheikes) a mendigar nas ruas, chegando estes a estipular um valor base que cada uma deve trazer ao fim do dia e claro, as que não cumprem as “metas” são violentadas. Fiquei a saber que em Angola, as sessões do parlamento não são exibidas em directo pela televisão nacional e que pela maioria parlamentar que a MPLA detém, chega a ficar com 80% do tempo durante as sessões…imaginem o que resta para a oposição. Fiquei também a saber que provavelmente, o parlamento angolano é que vai passar a eleger directamente o Presidente da República, parece que a lei já foi proposta, e como o MPLA tem a maioria, penso que o Zédu vai continuar a mandar por lá. Imaginem só se a FRELIMO decide fazer o mesmo!!...Um pouco por toda a lusofonia existem coisas do género que merecem toda a nossa atenção.

Foram dias de discussão e acredito que para além da carta ou comunicado de Praia que foi produzido, penso que através dos órgãos de informação chegará a si, cada um dos participantes tirou as suas próprias conclusões sobre o encontro. De entre as várias conclusões, penso que as mais importantes são: a necessidade urgente de fortalecer a sociedade civil para poder fiscalizar a governação, visto que a democracia em África é usada para favorecer apenas a classe governante. Atenção, isto não é pessimismo, é realidade. Os processos eleitorais, alicerces da democracia em África, são extremamente fraudulentos e o povo não participa na governação desta maneira. O Zimbabué é um exemplo disto. Angola e Moçambique também. Esses políticos não hesitam em trapacear, comprar votos e até mesmo ignorar relatórios internacionais sobre os processos eleitorais, só para se manterem no poder. Por isso, urge a criação de uma nova maneira de nós, povo, participarmos da governação de nossas nações. Fortalecer a sociedade civil é essencial. A regra é: PARA CADA LADRÃO(seja ele político ou não), UM CIDADÃO-POLÍCIA. Isso implica a denúncia constante dos desmandos, roubos e rombos, crimes contra os direitos humanos. Temos jornais independentes (queremos acreditar!), temos a Internet, tudo isto para facilitar o fluxo de informação alternativa, uma vez que os governos africanos controlam boa parte da imprensa. Quem sabe escrever,escreve. Quem sabe falar, fala. Quem sabe fazer, faz. Desde os meios clássicos ao mais tradicionais, podemos e devemos dar o nosso contributo, disseminando informação útil para o cidadão. Sim, esta é a era da informação. De que estamos a espera para usá-la em nosso benefício? O que preocupa não é grito dos maus, mas o silêncio dos bons. Já dizia Martin Luther King. E digo-vos, o silêncio é uma arma a favor dos maus, quando quebrado, encomenda a todos eles. Esse é o nosso objectivo como sociedade civil, INCOMODAR. Como num jogo de futebol onde não se deixa o adversário respirar, pensar, e quanto mais atacar.

Chegados aqui, é altura de falar-vos como o Acampamento de Praia está ligado a vitória da Beira. Muito simples: a Beira só conseguiu eleger a pessoa que confiava porque tem um povo vigilante, soberano. Uma sociedade civil forte, controladora, atenta. Sim, esses são os adjectivos de que nós precisamos. Não duvido das tentativas de fraude que lá ocorreram. Resultados preliminares contraditórios. Mas a vontade daquele povo foi tão grande e esmagadora, que foi impossível enganá-los. Sim, esse é o exemplo a seguir. É de actos dessa natureza que vos falo. Desde as eleições ao dia a dia. Não basta eleger, é preciso também fiscalizar, estarmos atentos e denunciarmos as irregularidades, exigirmos a punição. Estes sãos os nossos deveres que salvaguardam os nossos direitos.

Por último, quero dizer duas coisas: uma é, que a Corrupção passe a ser considerada Crime Contra os Direitos Humanos porque promove a pobreza, a desigualdade de oportunidades para as pessoas. A segunda é: parabéns à Beira e ao Daviz Simango, continue fiel ao povo que te elegeu e a todos os moçambicanos. É para todos os beirensesses e moçambicanos a música “Corre e avisa”*.

Mano Azagaia

*"Corre e avisa", estará disponível para download aqui no blog da Cotonete já amanha.

7 comentários:

Gata disse...

De acordo. Julgo chegado o memento de fazermos frente a esses males todos. Está nas nossas maõs, basta acreditarmos e mudarmos de atitude.

Nelson disse...

Yes we can.

Anônimo disse...

Gritos de libertacão, Povo Mocambicano um dia eu volto e juntos a nossa voz nos libertará.Abracos de um irmão na Noruega.

cartas de M disse...

Grande Azagaia!Sempre na senda de uma sociedade mais justa e equilibrada.Parabéns pelo teu artigo e que Moçambique, que trago no coração,caminhe para a liberdade e egualdade dos seus cidadãos. Um abraço desde Portugal.

decccco disse...

força mano Azagaia
podes contar comigo na luta contra esses ladrões e na mais difícil de todas... "quebrar o silêncio" e gritar bem alto contra as atrocidades que os políticos não só os Moçambicanos mas os Africaos no geral têm vindo a cometer contra os seus Povos.
cá estarei amanha a espera da musica pk tambem sou teu FAN
abraços

Anônimo disse...

Mano Azagaia, permita me parabenizar pelo elequente artigo por si ecreito e partilhado. Estou completamente de acordo consigo, urge sermos vigilante e fiscalizadores do sistema. Para isso temos que assumir uma postura mais exigente e democratica. Foi boa a licao do povo na Beira, ouviu se ate que o povo na cidade durante a contagem descia dos predios pela madragada para junto com os staff da STAE contar o votos. este e mais tipico e desejavel conduta de um povo. Nao podemos continuar a viver num Maocambique se esperanca para nos os jovens. com crises graves na habitacao, educacao emprego e muitos vicitude perpetuada pelos agente do sistema. Basta e apostemos em Daviz pois este, para alem de ser jovem representa os interesses do povo. mais nao disse.

Brian disse...

Zaga, as tuas palavras sao e sempre serao encorajadoras e nao vou negar que foram atraves delas que pude abrir a minha mente e notar que afinal eu tava cego, vivendo de mentiras de verdades e verdades de mentira mas ok, quanto ao que comentaste ok, ta correcto, to a ver muitos a dizerem que sim concordo que sim temos que mudar, bla, bla, bla... confesso-te que nao gosto muito de TEMOS QUE.., se queremos fazer entao facamos para que na hora das consequencias estarmos cientes de que fizemos por querer.. o 'temos que' vai nos levar sempre a recuar na hora de agir...Aos universitarios como eu principalmente (para quem m conhece ate m chama de Azagaia -UCM -CUAMBA) pois eu luto, e luto ate ao fim sejam quais forem as consequencias, stando sozinho ou acompanhado com derrotas ou com vitorias ,mas sempre luto, nao pela minha causa mas sim pela causa dos que virao entao ai esta, vamos lutar para o bem das futuras geracoes...LEMBREM-SE: O POVO STA NO PODER...

Grande abraco Zaga...I c u around