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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Azagaia: Biografia e Entrevista

Dados biográficos

Nome: Edson da Luz
Naturalidade: Namaacha, às 5:30h do sexto dia do quinto mês do ano de 1984.
Filiação: pai cabo verdeano, mãe moçambicana.
Infância: passada em Namaacha até aos 10 anos, onde fiz uma parte do ensino primário, continuando em Maputo.
Adolescência e juventude: concluo o ensino geral e o pré-universitário e ingresso na UEM. Neste período inicio-me na música fazendo parte do grupo Dinastia Bantu, integro-me no Movimento Humanista por algum tempo e, mais recentemente, entro para Label Cotonete Records, donde fazem parte rappers como Izlo, Ivete, Rage e Terry. Tenho agora o meu álbum à porta, dia 10, mais um marco na minha biografia.


Entrevista
Carlos Serra: Vai sair um álbum seu, o primeiro, dia 10. Qual o conteúdo dos trabalhos?
Edson da Luz: Fundamentalmente, intervenção social e até certo ponto política também, pois no meu ver a realidade social da sociedade moçambicana é em grande parte condicionada pela actividade política deste país, portanto entro quase sempre em choque com a política quando falo da sociedade. Neste cd, não falo muito das belezas deste país porque para mim o feio salta-me mais à vista e as belezas viram naturalmente como consequência de concertarmos o feio. Faço também abordagem da SIDA, mas tentando mostrar às pessoas como este vírus circula no nosso meio pela ponte dos relacionamentos, por exemplo: poderão perceber no tema “Labirintos” como um pai infecta a sua própria filha sem se envolver sexualmente com ela, mas simplesmente pelos labirintos dos nossos relacionamentos. Falo da banalização do sexo, alguns novos hábitos da nossa sociedade e exponho as minhas ideias para se solucionar alguns problemas da nossa moçambicanidade, o que poderá aplicar-se também a nós como africanos.

Carlos Serra: O Edson é um crítico social. Por quê?
Edson da Luz: Às vezes faço-me essa pergunta e pergunto-me também por quê não sou um artista igual a tantos que cantam sempre a alegria, o amor e a beleza da vida, a resposta não é facil, talvez recuar um pouco na minha história, nasci na vila da Namaacha filho de pai cabo verdeano e mãe moçambicana, dizem que sou mulato e por isso quando criança sofria discriminação, diziam que eu não tinha bandeira, logo aos 10 anos vi os meus pais separarem-se e venho morar em Maputo, tenho um contacto brusco com a realidade da selva que é a cidade, vivendo apenas com a minha mãe e meus irmaõs, assisto à batalha constante que a minha mãe travava para nos sustentar, a minha mãe sempre dizia para eu estudar para vencer na vida, enquanto isso ia assistindo pessoas sem estudo ou qualquer cultura académica a singrarem na vida à custa de “esquemas”, uma série de contrastes, meu pai ajudou no gosto pela leitura e descobri mensagens de revolta, esperança e alternativa nos poemas de José Craveirinha, descobri assim uma maneira de estar na sociedade, contribuir com a crítica para melhorar o meu meio, escrevi poemas e depois entrei na música de modo mais interventivo.

Carlos Serra: Bem, talvez já tenha dado a resposta...é estudante de geologia, estuda a estrutura da terra. Como se efectuou a transição para o estudo da sociedade?
Edson da Luz: O estudo da sociedade já fazia mesmo antes de entrar na faculdade e continuei a desenvolver as duas actividades em paralelo, mas às vezes as duas cruzam-se e às vezes sou também crítico dentro da sala de aulas e uso meus conhecimentos académicos para auxiliarem-me nas minhas análises, na escola tive noção do país, dos recursos, de como usá-los e também pude perceber como são mal aproveitados.

Carlos Serra: Como surge o nome artístico "azagaia"?
Edson da Luz: Surge na tentativa de adequar a nossa cultura africana à música hip hop, ou talvez o contrário, portanto este nome é produto do cruzamento entre o hip hop e a cultura africana, sendo a azagaia um instrumento de combate nos povos bantu, eu achei interessante adoptá-lo como alcunha, visto que a minha postura sempre foi combativa, vou directo aos meus alvos.

Carlos Serra: Como vê a evolução de Moçambique?
Edson da Luz: Talvez escrevendo um livro sobre este tema eu explicaria, mas em palavras mais resumidas eu acho que nós andamos e paramos constantemente e sinceramente não sei o que fazemos com maior frequência e duração, mas arriscaria em dizer que paramos mais, falarei de Moçambique desde a independência, marco zero, perdoem-me os tribalistas, assistia-se à construção duma nação segundo os livros e testemunhos orais, muitos erros e acertos, alguém me disse que o país era um quartel naquela altura, mas havia fortes princípios morais, uma forte liderança, quando é assassinado o presidente explode um clima de instabilidade intenso, 16 anos de guerra civil, muita dor e mágoa, desenvolvimento económico e social parado, quando finalmente a guerra acaba as pessoas estão chocadas e desnorteadas, grande crise de valores, ensina-se a cultura da paz, mas pouco se ensina sobre a cultura de ser cidadão, observa-se muito oportunismo, não que não existisse antes, a importação da cultura ocidental faz confusão na cabeça dos jovens, muitos já nem sabem o que é ser moçambicano, perda de identidade, o capitalismo selvagem não deixa espaço nem tempo para se abordar estes assuntos, estão os pais preocupados em ganhar cada vez mais dinheiro, estão os filhos a tentar ser americanos ou europeus, a educação é tão eficaz que produz alunos que concluem o ensino primário sem saberem ler e escrever correctamente devido a um sistema de passagem obrigatória, importado de certeza de um país doador, não temos noção da dimensão do nosso país, pensamos que ele é a nossa cidade, não há perspectivas de saída do lugar por parte dos nossos irmãos dos distritos e localidades no Centro e Norte do país, a tentativa de desenvolver o país continua, recuperar o tempo perdido, então vendemos o país, privatizámo-lo em troca de investimentos, democracia experimental, que confunde-se com um regime ditatorial disfarçado, uns enriquecem muito, outros empobrecem na mesma proporção, aumenta o crime porque parece que diminuem oportunidades, corrupção, nepotismo, os nossos governantes guerreiam constantemente, resultado: o povo já não confia neles (já agora muitos jovens não têm vontade de recensearem-se). Temos fábricas paradas há muito tempo e supermercados a abrirem constantemente, os nacionais não conseguem ser mais que empregados e muitas vezes de estrangeiros, é um cada um por si e Deus por todos, e até a religião é negócio, a doença é negócio, enfim... talvez encontrem pessimismo na minha análise, mas é como eu vejo e acredito que muitos assim o vêm também. A evolução é um processo contínuo, na minha opinião vivemos em prédios de caniço disfarçados de cimento e betão, a julgarmos que somos melhores que outros nossos irmãos que perdem-se no horizonte da ignorância comum.


Retirada do Blog do Sociologo Carlos Serra http://www.oficinadesociologia.blogspot.com/

Por favor, leiam outros posts e os respectivos comentários no blog do Carlos Serra, haha muito... fixe...

9 comentários:

Crok disse...

Achei bastante interessante a visão que o mano Azagaia tem do país e da nossa sociedade. penso que é espelho daquilo que ele tenta passar nas suas letras. comungo de muitas dessas ideias e acredito que a leitura aproxima-se daquilo que é a realidade.


Um novo desafio proponho para o mano zaca e outros analistas da sociedade: vamos voar e criar soluções para o nosso povo humilhado, para os manos que ouvem dia após dia que devem estudar mas no fim só quem viola a fronteira é que tem pão na mesa, etc. vamos fazer algo que ném o que o mc Ikonoplasta (angolano da editora Horizontal donde faz parte valete e outros) fez, criar o plano perfeito para o nosso povão, pode até se basear em utopias mas como diz o Ikonoplasta: SONHAR É O PRIMEIRO PASSO PARA O GRANDE MOVIMENTO.


Sem mais um peace a todos mcs do hip hop consciente e reflexivo.

Haid Mondlane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Júlio Mutisse disse...

Azagaia,

Escolheste um way de aparecer musicalmente para uma sociedade cedenta de muitas coisas incluindo respostas para muitas coisas que acontecem ou aconteceram.

É imperioso que busquemos respostas, explicações etc... incluindo verdades. Uma sociedade consciente não deve ter medo de responsavelmente questionar.

Questione. Tens ciência para o efeito. Parece me que lutas pelo mesmo que eu: Uma sociedade consciente dos seus direitos e deveres para exercer uma CIDADANIA CONSCIENTE.

Isso exige responsabilidade.

Atenção que nem todos que em determinados momentos nos cercam de elogios e até certo ponto nos bajulam nos querem bem. Muitas vezes querem se servir de nós para atingir os seus intentos. Querem servir se de nós para dizermos o que eles gostariam de dizer e não têm coragem ou não estão certos da veracidade.

Cuidado.

Não se deixe transformar numa arma de arremeço político. Isso só te prejudica. Não deixe que te transforme num anti Frelimo e num Anti Governo de dia que as pessoas saberão arremaçar nas campanhas eleitorais e para atacar o Governo do dia.

Isso pode te trazer fama. Mas não o proveito porque a massa crítica que possas ajudar a criar (pela sua incapacidade de ser crítico aos elogios que te fazem) pode te questionar e deixar de ver o essencial que deves transmitir.

A sociedade por vezes precisa ser chaqualhada com crítica apresentada de um modo agressivo. As suas músicas são agressivas... junte a essa agressividade e sua criatividade uma análise mais profunda dos problemas da nação e estarás a fazer um grande serviço à nação.

Precisamos dar voz à Mamana do mercado que ouviu e repete que Samora foi morto pelos seus pares; Precisamos de dar voz ao Zambeziano que pensa que não prospera (tal e qual muita gente de Gaza Maputo e Inhambane) porque é originário da Zambézia e não porque as oportunidades escasseiam para todos... precisamos dar voz aos que unicamente procuram emprego ao invés de criá-lo ao sair da UEM UP ISPU etc mas sem repitir os chavões falaciosos.

Tens inteligência para isso Azagaia. Podes ficar descansado meu caro... por dizer o que toda a gente diz ninguém te MATARÁ porque não pões em causa nada. Que Samora foi morto pelo poder quase se transformou num BOATO e os BOATOS amplificados num RAP nunca te colocariam em perigo.

Reflicta.

O País tem problemas seríssimos meu caro. Alguns já te debruçaste sobre eles na música que fazes com a Dama do Bling.

Há muito de errado no nosso país. Pessoas com a sua capacidade devem começar a pensar o pais e as soluções para os problemas que este enfrenta. Apontar os problemas só não basta.

Não se transforme em arma de arremeço político.

Se queres ser político posicione-se claramente para sabermos fazer leitura das suas intervenções. Porém não deixe de comentar e criticar o errado da política. Demarque-se do cinzento.

Júlio Mutisse disse...

Repito meu caro: não deixe que ninguém te leve ao colo e se sirva das suas intervenções como ARMA de aremeço político. Aparte-se disso. Transmita a sua mensagem
se baseie em determinadas agendas.

MCK em entrevista ao mwangole.net diz: "Eu penso que já é altura de construirmos uma mentalidade social desapegada de interesses partidários. Reprovo a ideia de que a participação a vida política e social tem que ser uma exclusividade de partidos e políticos. A sociedade civil não é constituída apenas por partidos políticos, eu sou militante de uma Angola melhor aonde a paz se faz acompanhar do seu ingrediente fundamental, a justiça social; onde os recursos naturais representam sinónimos de estabilidade, progresso e qualidade de vida; aonde o tempo entra como uma variável na equação da vida como um recurso irrenovável; aonde cada um de nós se sinta parte do conjunto, com educação e saúde; onde a governação se assenta no principio da transparência e seriedade. Logo não sou militante da UNITA nem do MPLA... o meu exercício artístico não traz cores partidárias."


A nossa sociedade ainda é virgem em muitas coisas. Tente que o seu exercício artístico não traz cores partidárias.

Halla

Anônimo disse...

Yao hip hop mocambiacano vai dar k falar,esta a dar k falar..
Azagaia forca..Tuas musicas ya sm comnts mta nices..

BEIJOKAS FOFAS:-)

Mara a.k.a Visao Ampla

Mara disse...

Yao hip hop mocambiacano vai dar k falar,esta a dar k falar..
Azagaia forca..Tuas musicas ya sm comnts mta nices..

BEIJOKAS FOFAS:-)

Mara a.k.a Visao Ampla

Anônimo disse...

Sr. Muthisse melhor vc pregar na igreja e lá fazer de titio previdente, tá?

Júlio Mutisse disse...

Ok ANONIMO. Procureme-na Igreja.
Creio que o Azagaia é mais inteligente que tu. Ha de ter percebido o que lhe quis dizer mesmo que nao concorde (esta no direito dele).

Leia o artigo do Patricio acima. Vou acompanhar a carreira do Azagaia.á tenho dos especimes dessa carreira (o single e o album) e vou tentar que ele se n redicularize e que n se deixe redicularizar por gente anonima incapaz de criticar com responsabilidade.

Julio Mutisse

braulio enciclopedia disse...

o mano azagaia africano um mc com bastante comteudo,ensinou-me muita coisa por isso eu lhe respeito.em angola jh ha muitas pessoa se alimentando com o conteudo do azagaia.fuiiiiiiii